O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quinta-feira que o governo quer acelerar os processos de privatização e sugeriu a criação de um canal “fast track” para as concessões.
– No mercado privado você vende um ativo em 40 dias. Não dá para ficar um ano e meio para vender cada empresa.
Para acelerar as privatizações, sugeriu, o governo quer enviar ao TCU uma lista com projetos, para que sejam liberados mais rapidamente.
A uma plateia de cerca de 600 empresários, fez ainda uma provocação:
– Qual a dúvida em privatizar os Correios? Lá nasceu o mensalão. Ninguém escreve mais cartas.
Guedes afirmou ainda que no lugar do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mantido pelos governos petistas, haverá o Programa de Aceleração de Privatizações (PAP).
– Por que tem que demorar tanto? Tem oito caras querendo comprar [os Correios] – disse.
O ministro refirmou também que a reforma tributária será “conciliatória”.
Após a palestra a empresários, Guedes afirmou que o Brasil não vai flexibilizar o teto de gastos.
– Não vamos furar o teto, vamos abaixar o piso.
Segundo Guedes, não houve mudança de opinião do presidente Jair Bolsonaro em relação ao tema.
– Perguntaram a ele sobre o teto de gastos e ele deu a explicação que eu dei. Quando você tem as despesas obrigatórias crescendo muito, você vai reduzindo o espaço. Foi isso que ele falou: é uma questão aritmética – disse. – Você tem um teto e as despesas vão subindo, tem uma hora que você vai ter que enfrentar esse problema.
Segundo Guedes, o porta-voz da presidência, Otávio Rêgo Barros, deve ter ouvido de Bolsonaro “tem um problema aí sério, esse negócio de teto tem um problema”, mas que o problema não é o teto, o problema é o piso.
Guedes afirmou que vai propor no novo pacto federativo o controle das despesas em vez de furar o teto de gastos.
Ele afirmou que os próximos passos do governo serão enviar a proposta de pacto federativo para o Senado e o a reforma tributária para a Câmara e o Senado.
Durante a palestra, Guedes destacou que o Brasil carrega um histórico de descontrole de gastos nos últimos 40 anos. E também repetiu que o “sucesso da democracia é descentralização do poder”.
Ele voltou a defender a implantação de um sistema de capitalização para complementar os benefícios previdenciários.
– Não há como não ir para um sistema de capitalização na Previdência.
E comemorou a inclusão de Estados e municípios na reforma da Previdência, via PEC paralela. Ele destacou ainda a maturidade da democracia brasileira ao relembrar os protestos em favor da reforma da Previdência.
– Em que país do mundo se viu 1 milhão de pessoas pedindo reforma da previdência em cada capital nas ruas? Isso é maturidade.
Fonte: Época negócios
