“Correios faturam R$ 4,5 milhões por dia com nova taxa”

Em vigor desde agosto do ano passado, o pagamento da taxa de R$ 15 por encomenda que desembarca no Brasil pelos Correios têm um custo salgado aos paranaenses que, caso não desembolsem o valor estabelecido, têm seus produtos devolvidos à origem.

Os Correios afirmam que não fizeram ainda levantamento de quanto representou essa nova taxa nos seus caixas. Contudo, apenas no Paraná, chegam todos os dias 300 mil encomendas. Se todos os destinatários pagarem a taxa de R$ 15, isso representaria R$ 4,5 milhões por dia a mais nos cofres da empresa. Isso mesmo: quatro milhões e meio de reais por dia apenas com essa taxa extra e apenas no Paraná.

A cobrança gera polêmica já que é aplicada a qualquer encomenda vinda de outro país, independente do valor do produto, ou seja, bijuterias e outros produtos de baixo valor. Por isso, a cobrança da taxa tem causado surpresa a muita gente.

Adelaide Kunzler comprava todos os meses um artigo ou outro da China. Resolveu colocar o pé no freio. “Agora, com o pagamento dessa taxa, o molho ficou mais caro que o peixe, ou seja, tem produto que é baratinho, mas que com o valor da entrega fica inviável”, explica.

Assim, toda encomenda que vem do exterior para na central em Curitiba e o destinatário recebe um SMS informando sobre a cobrança. Na mensagem é informado o código de rastreamento e indica que a pessoa deva entrar no site para efetuar o pagamento. Já no site é fácil encontrar a aba e, após fazer o cadastro, a pessoa escolher como pagar a taxa: cartão de crédito ou boleto bancário. Só depois de paga essa taxa é que a encomenda é despachada para a cidade do destinatário.

O que dizem os Correios

Os Correios justificam que a cobrança está relacionada ao tratamento a ser dado a essas encomendas, como averiguação do conteúdo, identificar possíveis mercadorias ilícitas a partir de um aparelho de raio-x, assim como a formalização da importação e operações correlacionadas. Até então, apenas as encomendas que ultrapassavam R$ 50 eram submetidas ao pagamento da taxa fixada em R$ 12.

Segundo a assessoria de imprensa dos Correios no Paraná, ainda não foi possível medir o percentual de compradores internacionais que fizeram o pagamento nem o percentual dos produtos já devolvidos pela falta de pagamento.

Adelaide Kunzler conta que já teve encomenda devolvida porque não sabia como pagar a taxa. “Diante do aumento das compras internacionais, acho que foi pouco divulgada a forma de pagamento dessas encomendas. Eu fiquei esperando receber nos Correios onde moro e pagar lá, mas isso não aconteceu e o meu produto voltou para a China. Tenho mais umas quatro ou cinco coisas que comprei há alguns meses, mas são tão baratinhas que nem vou atrás para pagar as taxas”.

Os Correios esclarecem que, caso a encomenda não seja tributada, a informação sobre a necessidade de pagamento do Despacho Postal será disponibilizada no SRO (Sistema de Rastreamento de Objetos) no site www.correios.com.br/rastreamento.

Os Correios esclarecem ainda que as encomendas que aguardam o pagamento do despacho postal não ficam “paradas” e que o prazo de armazenamento é de 30 dias após a liberação da Receita Federal e então são devolvidas ao país de origem se não houver o pagamento do serviço.

Fonte: O Paraná (Leia mais)

 

Taxa fixa dos Correios dificulta compra de produtos do exterior

Órgãos de defesa do consumidor e especialistas sustentam que a cobrança deveria ser incluída no valor total do serviço e levar em consideração preço e tamanho

Os baixos preços e a variedade de produtos dos sites e dos aplicativos de compra internacionais são tentadores. Essa é uma escolha que tem conquistado cada vez mais os brasileiros e não é difícil entender a preferência: há lojas virtuais que ofertam todos os produtos por valor fixo de um dólar ou outras cifras baixíssimas. Normalmente, o custeio do frete também acompanha a tendência de valores baixos, mais um fator de incentivo para a aquisição de encomendas no mercado estrangeiro.
Desde o último 27 de agosto, no entanto, os Correios instituíram uma cobrança adicional de R$ 15 para todas as encomendas internacionais não tributadas que cheguem ao Brasil. Sob nome de despacho postal, a taxa é justificada para o tratamento aduaneiro dos produtos, que não deve ser confundido com o frete, nem com tributos. O despacho cobriria despesas de alfândega e armazenamento. A liberação da encomenda só será feita mediante o pagamento da taxa, que pode ser acessada diretamente pelo link de rastreio do objeto postado.

Os Correios informam que “a extensão da cobrança para os objetos não tributados se deu em virtude do crescimento exponencial das importações e a consequente elevação dos custos de operação para nacionalização das encomendas”. A empresa também afirma que a taxa é comumente cobrada por outras fornecedoras de serviços postais e que o valor adotado é baixo, comparado ao praticado pelas concorrentes que é, em média, “quatro vezes maior do que o valor cobrado pelos Correios”.

O Instituto de Defesa do Consumidor (Procon-DF) informou que receberá demandas pertinentes ao despacho postal. A assessora jurídica da instituição, Nayara Saraiva, explica que há ilegalidade desde a forma como a taxa foi criada. “Ela viola o Código de Defesa do Consumidor (CDC) desde o começo, uma vez que não teve informação prévia sobre a cobrança. As pessoas que já tinham encomendas feitas terão de pagar o valor do serviço sem o conhecimento e aceite antecipado da cobrança.”

Além de surpreendido pela cobrança da nova taxa, o estudante Victor Farias, 20 anos, teve de enfrentar um problema para pagar o despacho. “Eu tentei pagar por diversas vezes e o sistema não funcionava. Liguei para os Correios e o atendente até perguntou se eu estava enfrentando esse problema e, segundo ele, muitos clientes estavam ligando para reclamar”, afirma.

Nayara avalia que os Correios incorrem em erro grave por transferir ao consumidor uma despesa que deve ser arcada pela empresa. “O despacho postal transfere o ônus das operações que são de responsabilidade dos Correios. Eles repassam aos clientes o custo de um serviço que é aquele efetivamente comercializado pela própria empresa.”

A representante do Procon acredita que se trata de uma estratégia de recuperação de gastos. Na avaliação de Nayara, há outras maneiras de atualizar monetariamente as perdas logísticas, de forma legal e leal ao consumidor. “O correto seria a empresa reajustar os valores de seus serviços com o remetente. O destinatário não deveria ser taxado pelos serviços, exceto quando se enquadrasse nos casos de tributação da Receita Federal”, observa.

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) notificou os Correios, questionando a validade do ato, conforme afirma Nayara. Entretanto, o Procon-DF ainda não foi acionado. No Brasil, há um procedimento em análise no 8º Ofício do Consumidor, em Santa Catarina. O Ministério Público Federal do estado catarinense informa que o procurador da república responsável pela procuradoria de direito do consumidor, na capital de Florianópolis, avalia a legalidade da cobrança criada pelos Correios.

Fonte: Correio Braziliense (Leia o artigo completo)

Wish ameaça cortar investimentos no Brasil após taxa dos Correios

A decisão dos Correios de cobrar uma taxa de R$ 15 de todas as encomendas internacionais pode fazer com que a Wish corte seus investimentos no Brasil. Pelo menos essa é o que afirma Nicola Azevedo, executivo da empresa para a região da América do Sul, que aguarda para ver o impacto da medida no volume de vendas.

Hoje, o Brasil é um dos dez maiores mercados da Wish. Em entrevista à revista Veja, Azevedo disse que a empresa está disposta a conversar com os Correios, mas, se acabar muito afetada pela nova cobrança, levará o montante aplicado por aqui a outros países. A declaração é simples e breve, mas demonstra um movimento que pode acontecer com outras companhias internacionais, principalmente chinesas, que também têm forte operação por aqui.

O maior problema é que a chamada taxa de despacho postal praticamente inviabiliza a aquisição de produtos de baixo valor, importados por preços normalmente bem abaixo dos aplicados por aqui. Na maioria das vezes as lojas praticam um regime de frete grátis, mas, com uma taxa de R$ 15 aplicada a todas as compras, os itens acabarão deixando de compensar para o consumidor, que já tinha que aguardar meses para recebê-los.

A expectativa dos Correios com a nova medida é de arrecadar R$ 90 milhões por mês com o pagamento dos tributos. Entretanto, de acordo com a reportagem, a estatal também deve enfrentar um reflexo da nova medida, com 70% das encomendas internacionais que já estão no Brasil ou a caminho daqui sendo abandonadas. Com isso, a empresa acaba tendo gastos adicionais, uma vez que é a responsável pela manutenção de depósitos e, também, por enviar de volta os produtos.

Na ocasião do anúncio, o presidente dos Correios, Carlos Fortner, defendeu a aplicação da taxa, afirmando que ela é necessária para compensar os custos de triagem, análise, alertas aos usuários e demais serviços de logística. O novo tributo também estaria relacionado a um aumento de 80% no volume de produtos importados entregues pela estatal entre 2016 e 2017 — o crescimento, ao final do primeiro semestre, já é de 32% em relação ao ano passado. São de 100 mil a 300 mil encomendas recebidas todos os dias.

A aplicação da taxa também colocou os Correios na mira do Procon do Rio de Janeiro, que iniciou uma investigação sobre a cobrança e exigiu explicações sobre sua aplicação repentina. O maior ponto, aqui, é o anúncio e cobrança em caráter imediato, a partir do dia 28 de agosto, sem aviso aos lojistas e consumidores, mas aplicada mesmo a encomendas enviadas ou já tramitando no Brasil antes desta data.

Até o anúncio, a chamada taxa de despacho postal era cobrada somente de encomendas tributadas pela Receita Federal, no momento da retirada ou em sistema online, para permitir pagamento. Agora, porém, o mesmo vale para absolutamente todos os pacotes vindos do exterior.

Fonte: Canaltech (Leia o artigo completo)

taxa fixa de R$ 15 em todas as encomendas internacionais

Correios cobrará R$ 15 de todas as encomendas internacionais

De acordo com informações do TudoCelular, os Correios passarão a cobrar uma taxa fixa de R$ 15 em todas as encomendas internacionais que chegam ao Brasil por via marítima ou aérea. Até agora, essa cobrança era feita apenas nos casos em que a encomenda era taxada pela Receita Federal, mas agora abarcará 100% dos pacotes vindos de fora do país.

A medida começa a valer a partir de hoje (27) e será aplicada a todas as encomendas que possuem código de rastreamento iniciando com as letras E, C, R e L. Pequenas encomendas não registradas, sem código, também serão taxadas com essa nova cobrança intitulada “Despacho Postal”.

despacho postal R$15

como pagar a taxa

Em contato com o referido site, os Correios explicaram que a nova cobrança será disseminada para todos os casos de correspondências internacionais com objetivo de melhorar o serviço de distribuição de pacotes que chegam ao país e são processados no grande centro de distribuição internacional em Curitiba. Segundo a empresa, a demanda para a entrega de encomendas internacionais subiu 155% em janeiro deste ano, o que tem gerado atrasos na distribuição dos itens. O TecMundo entrou em contato com a estatal e vai atualizar essa notícia com a resposta da empresa assim que possível.

carta taxa fixa de R$ 15 em todas as encomendas internacionais

 

O que isso significa para o consumidor final

Essencialmente, importar itens de baixo valor, como capinhas de celular e outros acessórios do tipo, vai ficar menos atraente, mesmo quando as lojas internacionais oferecem frete grátis. Claro que, considerando a diferença de preço praticada no Brasil, comprar em sites chineses ainda pode valer a pena para esse tipo de mercadoria, dependendo da situação.

Contudo, será difícil comprar vários itens diferentes de uma só vez. Eles normalmente chegam ao Brasil em pacotes separados e devem ser taxados cada um em R$ 15. Dependendo do volume de compras, você pode acabar gastando um bom dinheiro só com essa taxa de Despacho Postal.