Investigação do Ministério Público Federal (MPF) e da Corregedoria da Polícia Federal indica que o escrivão Éverton da Costa Ribeiro recebeu R$ 360 mil de propina numa sacola. O pagamento feito por um empresário teria acontecido na garagem do prédio dos Correios, no Centro do Rio.
A informação consta do inquérito e está em um depoimento feito por um empresário que decidiu fazer delação, homologada pela Justiça.
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Na ocasião, Everton era lotado na delegacia da Polícia Federal no prédio dos Correios.
As investigações do MPF e da corregedoria deram origem à operação Tergiversação, que nesta terça-feira (11) apontou o escrivão Éverton e o delegado Lorenzo Pompílio da Hora como chefes de organização criminosa.
Lorenzo também foi um dos que acompanharam o depoimento do policial militar Rodrigo Ferreira, o Ferreirinha, no caso da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
Com o apoio de dois operadores, o escrivão e o delegado receberiam propina de empresários alvos de investigação feita pela unidade.
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A juíza Caroline Vieira Figueiredo, da 7ª Vara Federal Criminal do RJ decretou a prisão preventiva dos policiais. O G1 não conseguiu contato com as defesas do delegado Lorenzo e do escrivão Éverton.
A operação prendeu mais quatro pessoas. Outros três estão foragidos.
Os alvos de extorsão dos agentes, segundo o MPF
Donos de empresas que fornecem material ortopédico para hospitais do RJ
Empresários envolvidos no fundo de pensão dos Correios, o Postalis.
Os denunciados vão responder por corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e peculato.
Em seu pedido de prisão, o MPF enumerou à Justiça os motivos que justificam a prisão dos agentes. As investigações apontam que o esquema começou em 2013 e se manteve, pelo menos, até março passado.
“São tão graves os fatos revelados que o órgão ministerial houve por bem de examinar os inquéritos e movimentações dos agentes da Polícia Federal no Rio de Janeiro para confrontar as informações trazidas, concluindo que as declarações captadas são verossímeis”, escreveu a juíza Caroline.
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Entre os motivos para pedir a prisão, o MPF enumerou alguns pontos:
- Delações de empresários investigados pela PF
- Depoimento de um delegado federal sobre irregularidades na delegacia que os policiais faziam parte
- Trocas de email do delegado Lorenzo com investigado ou com seu advogado
- Ida a encontro na casa de empresários sendo um deles investigado por ele
- Depoimentos dos empresários beneficiados não eram juntados ao inquérito
Para o MPF, esses elementos baseiam a prisão do delegado e do escrivão.
“É evidente, portanto, que além da prova da materialidade e indícios concretos de autoria, a decretação da prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública, dado o risco concreto de que, em liberdade, permaneça praticando fatos ilícitos, assim como é necessária a medida por conveniência da instrução criminal, tendo em vista que, em liberdade, possuirá toda a estrutura da Polícia Federal em seu favor, podendo atuar de forma específica na destruição de provas ou manipulação de terceiras pessoas”, escreveu a juíza Caroline Figueiredo em sua decisão.
Nesta terça, o RJ2 mostrou que a investigação também indica que o escrivão da PF preso comprou carro de R$ 120 mil à vista um dia depois de receber propina.





