Prédio dos Correios segue sem reforma um ano após incêndio

Fonte: link no final do artigo

A engenheira de alimentos Brena Aires, 26, e o técnico de saúde bucal Marllon Dantas, 27, não conhecem um ao outro, mas guardam consigo um mesmo dissabor: remetente e destinatário, respectivamente, tiveram prejuízos financeiros depois que o Centro de Triagem de Cartas e Encomendas (CTCE) dos Correios, na Avenida Oliveira Paiva, pegou fogo no dia 13 de fevereiro de 2018. Um ano mais tarde, o galpão continua desativado e os dois clientes que tiveram objetos queimados nem sequer foram ressarcidos.

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À época, os Correios informaram que a indenização das mercadorias seria feita após a conclusão da perícia técnica. O laudo da Polícia Federal não apontou o fato gerador do incêndio, mas descartou que a ocorrência tenha sido por interferência da ação humana. Doze meses depois, segundo a estatal, todos os clientes com objetos postais de Valor Declarado e que registraram reclamação na Central de Atendimento tiveram os ressarcimentos deferidos.

Transtornos

Não é o caso de Marllon Dantas. O técnico de saúde bucal havia comprado pela internet dois relógios avaliados em R$ 300, fones de ouvido bluetooth no valor de R$ 190 e dois pares de óculos que custaram R$ 500. A mercadoria foi adquirida em loja da China e postada na Suíça. Segundo conta, era dos Correios a responsabilidade de entrega, uma vez que pagou pelo serviço.

“Cheguei a registrar (a reclamação), sim. Porém, era a mesma resposta automática de sempre, que vão analisar o caso e depois do período máximo para a resposta, vinha a mensagem de não localizado no fluxo postal. Uma das mercadorias, eu consegui abrir uma reclamação junto à Ouvidoria, responsável pelo recebimento das encomendas internacionais. Até hoje, não tive resposta”, pondera.

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Já Brena Aires precisou usar o serviço de postagem dos Correios para enviar os convites do seu casamento a três padrinhos da cerimônia que moram em Brasília, no Distrito Federal. Eles, contudo, nunca receberam as caixas com os envelopes, porque o material remetido quatro dias antes do incêndio, virou cinzas.

“Eu já suspeitava que não iam chegar porque eu coloquei na sexta e o incêndio ocorreu na terça-feira. Eu esperei o prazo e não consegui rastrear pelo código. Uma semana antes do casamento, eu liguei e eles não tinham recebido. Como eram convites de padrinhos e mais elaborados, eram poucas quantidades e eu não consegui uma gráfica que quisesse fazer. Eles vieram sem convite mesmo, ficaram sem”, lamenta.

De acordo com a presidente do Procon Fortaleza, Cláudia Santos, o cliente prejudicado pode registrar a queixa no órgão de defesa do consumidor. “Mesmo após um ano do incêndio, nós vamos levar em consideração a vulnerabilidade e a relação desigual dele perante o fornecedor. Os Correios, como qualquer outra empresa pública, são responsáveis pelo serviço, então cabe, inclusive, a reparação de danos, independentemente da existência de culpa ao consumidor, quando há falhas na prestação do serviço”, explica.

Incêndio

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No momento do incêndio, por volta das 16h, apenas um vigilante estava de plantão na guarita externa do prédio. Sem a presença de outros funcionários, ele percebeu o incidente e acionou o Corpo de Bombeiros. Cerca de 40 homens em 10 guarnições participaram da operação. As chamas atingiram 90% da unidade que ocupa uma área de 10 mil m², restando apenas a ala administrativa, que teve apenas o teto de PVC destruído. O fogo não alcançou a mata no entorno da unidade e nem as 15 vans guardadas no estacionamento.

Como medida emergencial para garantir a continuidade das atividades no Centro de Triagem de Cartas e Encomendas, os Correios passaram a avaliar a carga que tem o Ceará como origem ou destino em outras unidades da Capital, além de outros centros localizados em Salvador, Recife e até São Paulo.

Doze meses depois, o prédio do CTCE incendiado, porém segue sem prazo de reforma. Em nota enviada ao Sistema Verdes Mares (SVM), a empresa diz que ainda está analisando a viabilidade de reconstrução da unidade. A solução apontada pelos Correios é o aluguel de um novo espaço, que não teve prazo divulgado pela estatal.

“Para acomodar o fluxo operacional do Centro, foi decidido pela locação de um espaço. Os Correios identificaram imóvel do tipo galpão logístico – localizado no 4º Anel Viário – adequado para concentrar as atividades de triagem. A locação será efetivada após a conclusão das obras que estão sendo executadas pelo proprietário do prédio”.

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Os Correios passaram a orientar os clientes quanto à necessidade de declarar o conteúdo a ser enviado antes da postagem. Esta foi a resposta da empresa depois de ser questionada pela reportagem sobre as medidas tomadas para evitar incêndios de grande proporção em suas unidades.

A estatal também reforçou que, conforme a Lei Federal nº 6.538 de 22 de junho de 1978, é proibida a postagem de remessas contendo substância do tipo explosiva, radioativa, corrosiva ou facilmente inflamável, cujo transporte ou armazenamento constitua perigo ou possa danificar outro objeto.

Fonte: Diário do Nordeste